quinta-feira, 28 de maio de 2009

Polêmica à "VIZTA" - Rio Restaurant Week

Domingo, 17 de maio, foi o dia que eu e Paula escolhemos para conhecer o Bar D` Hotel, que fica no Hotel Marina All Suites, no bairro do Leblon. Porém, ao chegarmos lá, fomos surpreendidos com a notícia de que eles estavam realizando reservas e que para almoço não havia mais lugares disponíveis. Um tanto frustrados, decidimos rumar então para o restaurante VIzta, que fica em outro hotel da rede Marina, e há alguns metros de distância de lá.

Só pra lembrar: eu já havia ido ao Vizta com amigos do trabalho na primeira semana do evento do Rio Restaurant Week e a experiência tinha sido muito boa. Portanto, levar Paula dessa vez seria a oportunidade para repetir a dose e oferecer a ela a experiência de conhecer algo que eu havia recomendado e aprovado. Infelizmente, foi aí que algumas peças desse "quebra-cabeça" que eu tinha montado, começaram a não se encaixar.

Bem, chegando ao Vizta, havia algo em torno de oito pessoas esperando, mas como eu e Paula éramos um casal, as chances de conseguir uma mesa seriam consideravelmente maiores. E foi o que aconteceu. Não precisamos esperar nem dez minutos e já tínhamos sentado, embora numa mesa pequena, meio espremidos junto a várias outras mesas. Contudo, diante da grande procura da pessoas pela oportunidade de provar os pratos dos restaurantes do evento, isso nem foi um grande problema, afinal tínhamos tido sucesso no mais difícil:: entrar e sentar.

Rapidamente o garçom nos atendeu e em poucos minutos já estávamos recebendo nossas entradas. Pedimos uma opção de cada para que Paula pudesse provar ambas. Diante da chegada dos pratos, fiquei estupefato. E não consegui esconder minha reação, inclusive diante do garçom. As porções haviam diminuído consideravelmente. Os rolinhos crocantes de camarão com catupiry e alho poró praticamente sumiram do prato. E diga-se: até na alface eles economizaram. O tamanho era tão insignificante que me perguntava sobre aonde estaria o recheio. No prato de carpaccio rústico em crosta de especiarias, a redução era não só nas finas fatias de carne, mas até na couve. Confesso que na hora me senti lesado. E não só tinha a lembrança do tamanho dos pratos anteriores como tinha as fotos pra provar.



Logo em seguida vieram os pratos principais e a surpresa negativa continuou. Como eu e Paula queríamos degustar o medalhão, só pedimos essa opção de prato. O medalhão em crosta de amêndoas com risoto de queijo cremoso, que tinha sido um dos meus pratos prediletos durante todo o evento, caiu várias posições naquele momento. Tudo estava errado: o tamanho encolheu e a crosta de amêndoas, que era farta e crocante, virou uma espécie de "milanesa" etérea. Só o risoto se salvou e mais pelo sabor, porque a quantidade também tinha diminuído.



Restava a sobremesa e já pensávamos qual seria o problema dessa vez. O petit gateau de chocolate belga veio e estava gostoso, mas sua apresentação perdeu pontos. Devido a quantidade de pessoas a serem servidas, era óbvio que a cozinha estava acelerando todos os pratos. Nesse açodamente, o petit gateau passou do ponto, vindo à mesa com um buraco no meio e expondo toda calda.


Almoço terminado e meio frustrado, comecei a avaliação e cheguei à seguinte conclusão: não acredito que um restaurante respeitável e com um padrão como o do chef Felipe Bronze tenha feito tudo isso intencionalmente, mas acho que por este evento ter sido o primeiro na cidade do Rio de Janeiro alguns restaurantes, como o Vizta, não estavam preparados e não tinham parâmetros que pudessem definir bem a composição dos pratos, quantidade e até mesmo atendimento.

Resumindo: um restaurante não pode tentar atender mais gente do que suporta e no Vizta se via claramente isso. Tanto que quando saímos do restaurante, havia cerca de 30 pessoas no corredor entre a porta e o elevador. Intransitável e desorganizado. Os restaurantes que se comprometerem a participar de tal evento devem preparar o prato sempre da mesma maneira e com a quantidade já definida. Pequenas alterações são até razoáveis diante da demanda, mas da forma como vi no Vizta, não acho que seja bom nem para o restaurante, como imagem, nem para o cliente, que vai se sentir desprestigiado e lesado.

Vou até abrir um parêntese aqui e cumprimentar o Aquim Café pela atitude de seus funcionários quando da minha estada lá. A mesa em que estávamos tinha cinco pessoas e três foram embora antes, ficando apenas eu e Paula. A fim de disponibilizar a outra mesa que não estávamos mais usando, desloquei-a para o lado de forma que outro casal pudesse ocupá-la, mas o funcionário da casa optou por não colocar ninguém até o momento que saíssemos, achando que as mesas ficariam tão próximas que prejudicaria não somente a nós, mas também às outras pessoas que estavam ali para degustar uma saborosa experiência. Nota 10 para Aquim. Não comprometeu o serviço em função de um maior número de pessoas.

Além do que já citei, acho imprescindível que sejam feitas reservas, pois assim os restaurantes conseguem manter o bom atendimento em termos de serviço e comida, sem perder suas características.

A minha intenção aqui não é execrar o Vizta, até porque tive uma boa experiência da primeira vez, mas é simplesmente alertar as pessoas para esse tipo de problema e conscientizar os estabelecimentos de que os clientes devem ser respeitados, não visando apenas a exploração comercial, mas privando pelo bom atendimento no geral e pela imagem da casa.

Bem, encerro aqui minhas experiências do Rio Restaurant Week e, no geral bastante feliz. A iniciativa dos restaurantes foi excelente. A divulgação é que deveria ser maior. Espero que no próximo ano mais estabelecimentos possam se comprometer com a causa, lembrando de novo que o projeto, além de abrir as portas para uma nova experiência de sabores, tem uma preocupação social super importante, já que reverte fundos para instituições de apoio à pessoas e comunidades carentes. Esse ano foi o projeto Uerê!

Abraços para todos! Até o próximo ano!

6 comentários:

Katia Bonfadini disse...

Que coisa feia, né? O menu do Vista, quando fomos no primeiro dia do festival, foi o que mais gostei. Apesar da demora, estava tudo saboroso, suculento e farto! Fiz propaganda pra minha irmã, que voltou lá três dias depois. A demora em servir os pratos foi a mesma, mas a quantidade de comida já havia reduzido consideravelmente. Ela soube disso justamente porque viu as fotos que tirei. E depois, com suas fotos comparativas, João, não dá pra negar que a diferença é brutal. Embora o restaurante não estivesse preparado pra receber o número de pessoas que recebeu, acho que um bom chef não permitiria ter seu nome associado à um prato de má qualidade ou má aparência... Ai de Felipe Bronze se o Gordon Ramsey tivesse ido ao festival!!!!! Beijos, ótimo post como sempre!!!!

João Luis Guedes P. Pereira disse...

Kátia: Seu comentário foi providencial!!! Realmente, como o gabarito de chef de cozinha, Felipe Bronze, não pode deixar que essas coisas acontecem em seu nome.
Várias pessoas que leram o primeiro post e tiveram a chance de ir lá (assim como a sua irmã) ficaram desapontados com os pratos, portanto não podia deixar de dar esse "puxãozinho" de orelha. Adorei você ter falado do Gordon! hahahaha! Realmente ele teria tido aquele chilique habitual dele!! Muito boa!! Valeu, Katinha! Obrigado por pontuar o assunto! Bjs

Verônica Cobas disse...

Como também pude conferir o restaurante e o menu no primeiro dia, minha impressão foi a melhor possível. Comida farta, delicada em sabores e prazeres. Recomendaria sempre. Contudo, ao saber da experiências de vocês, me decepcionei muito. Porque sempre penso que isso pode ser uma cultura da própria casa, onde mais que o bom atendimento, a preocupação maior é a ganância administrativa. Feio!!! Muito feio!!! E não adianta dizer que não estavam preparados para a procura. Os pratos, sua qualidade e padrão é que fazem o bom nome de qualquer lugar.

Bem colocado, João! bjs

João Luis Guedes P. Pereira disse...

Vê: Você teve a oportunidade de estar no primeiro evento e viu como a comida era farta e saborosa. Infelizmente na minha segunda vez e na primeira chance de várias outras pessoas que se empolgaram de conhecer, a história não pôde se fazer da mesma forma. Mandei o link dos dois posts para o Marina Palace para que de certa forma ele possam reavaliar sua estrutura e julgamento. É bom para ambos os lados: o cliente e a casa. Obrigado pela sua opinião sobre o assunto!! Bjs!

Rosemberg disse...

Lamentável isso, eu sei, nunca vi tanta gente naquele restaurante (nem no cafe da manhã é assim). O Vizta não é para esses eventos, não pode ser meter nessa sem um organização. A questão da quantidade e pq em festival é assim mesmo, pouco, e uma divulgação do prato. Cheguei a ouvir na lata: "Quando vem o resto, moço?" Passa la no novo Vizta, a noite, mais aconchegante, mas tudo, (esses pratos nem exitem mais, os q v c comeu) - vai ser melhor que a primeira vez, te garanto.

Rosemberg
Garçom do Vizta

João Luis Guedes P. Pereira disse...

Olá Rosemberg!! Muito obrigado pela sua participação. Acho muito legal o que disse. O Vizta tem um perfil que é difícil se encaixar em um evento desse porte. Mas, não pelo tamanho do evento, mas sim pelo estilo do restaurante. Sentar, apreciar um bom prato e curtir o ambiente e o cenário externo é a proposta do Vizta, e assim sendo contra-põe com essa coisa meio corriqueira e de muita gente que o Restaurant Week se propõe. De qualquer forma, quero voltar sim e quando o fizer vou te procurar para desfazermos essa má impressão. Obrigado pela sua iniciativa e participação!! Abraços!!

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