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domingo, 24 de julho de 2011

Botín, o restaurante mais antigo do mundo

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Marca no Prato01

O restaurante Botín, com mais de 300 (trezentos!!!) anos de história, está situado em Madrid de los Astúrias, a um passo da Plaza Mayor. Foi construído sobre uma antiga bodega de tetos abobadados do século XVI.

Restaurante  Botín_Madrid_Fachada 01.pg

Hoje, chamado de Restaurante Sobrino de Botin (anteriormente Casa Botin), figura no Guiness Book como o restaurante em atividade mais antigo do mundo. Foi fundado como estalagem no ano de 1725. Dsde então tem se mantido aberto no antigo prédio de quatro andares.

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Fundadores 01

No ano de 1725, um chef francês chamado Jean Botín e sua esposa, de origem asturiana, fundaram o seu pequeno negócio, uma pousada, no número 17 da Calle de los Cuchilleros, junto à popular Plaza Mayor de Madri. Fizeram uma reforma no andar térreo do prédio fechando as varandas existentes. A data dessa obra está registrada em uma pedra da porta de entrada, até hoje ali.

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Cozinha 03

Dessa data é também o seu famoso forno de lenha, que ainda hoje em dia segue atraindo os comensais pelo aroma de seus tentadores assados.

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Cozinha 08

Na época, o Botín era considerado uma “casa de pasto”, pois o termo "restaurante" era aplicado apenas a alguns estabelecimentos, muito raros e exclusivos, que pretendiam imitar os parisienses (restaurant).

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Vitrine 01

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Panoramica 01 

Curiosamente, até meados do século XVIII, não era permitida a venda de carne, vinho ou outras iguarias nas hospedarias, dado que era vista como concorrência prejudicial aos comerciantes desses produtos. Assim, podia servir-se apenas o que o hóspede trazia para ser cozinhado.

Tendo morrido seus fundadores, um sobrinho da esposa, chamado Cándido Remis, encarrega-se do estabelecimento que, desde então, passa a se chamar 'Sobrino de Botín'.

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Panoramica 04

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Clientes02

Atualmente, o restaurante ocupa quatro andares, mantendo-se o mais possível fiel à atmosfera de hospedaria, que é um dos seus principais encantos. Situado em plena Madrid dos Astúrias, o Botín desfruta de um enquadramento privilegiado. Por essa razão, desenvolveu-se um enorme esforço para que a casa não mude o seu aspeto original. Têm-se acontecido várias reformas e ampliações, de modo a atender a crescente afluência de clientes, mas sempre sem modificar o aspeto característico do edifício.

Restaurante  Botín_Madrid_Assado01.pg

É evidente que o aspecto não é tudo: um bom serviço ao público, assim como uma cozinha cuidada e produtos da melhor qualidade fazem o resto. A especialidade do Botín é a cozinha castelhana e, mais concretamente, os assados de cordeiro e leitão (cochinillo asado). Três e quatro vezes por semana chegam ao restaurante carregamentos de leitões procedentes de Segóvia e cordeiros originários do triângulo mágico desta carne: Sepúlveda-Aranda-Riaza. Pouco a pouco, lentamente, cordeiros e leitões vão ganhando uma cor dourada ao calor do velho forno alimentado a lenha de azinho.

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Clientes03

Cochinillo asado

Mas nem por isso os outros pratos são de desdenhar: também é possível saborear uma boa pescada de anzol, linguado fresco, amêijoas (moluscos bem pequenos, formados por duas conchas ovais) acompanhadas de um molho especialíssimo e muitas outras delícias.

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Pratos 01

Restaurante  Botín_Madrid_PPS_Pratos 04

Atualmente, o negócio é dirigido pela terceira geração da família González: Antonio, José e Carlos. Todos se esforçam por ombrear com a responsabilidade de que o Botín continue a mimar não só o estômago, mas também o coração de todos os seus clientes durante ainda, pelo menos, outros trezentos anos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ouro na comida

Há, no Mar Cáspio, na costa do Irã, três tipos de esturjão, o peixe de cuja ova é feito o caviar: o sevruga, o osetra e o beluga.

Dos três, o esturjão beluga é o animal mais raro - e é do beluga branco, mais raro ainda, que vem o Almas (pronuncia-se Almás), também conhecido como Diamante da Pérsia. Só são produzidos cinco quilos dele a cada ano e conseguí-lo é uma operação laboriosa. O beluga branco só produz ova a partir dos 25 anos de idade, quando alcança 4 metros de comprimento e cerca de 800 quilos. Capturado, não chega a ser abatido. É realizada uma espécie de cesariana no animal e a ova (cor de pérola) é retirada com uma pequena colher de madrepérola.

esturjao1

Depois, o peixe é devolvido aos mares. Só que cada cirurgia desse tipo produz apenas cerca de 15 gramas do Almas. As encomendas devem ser feitas com um ano de antecedência e o caviar chega numa embalagem especialíssima: uma lata de ouro 24 quilates com design da Maison Cartier.

caviar ouro comestível 03

Se até agora, tudo que foi falado te deixou de boca aberta, saiba que a última novidade do mercado de luxo é o caviar com ouro comestível. Isso mesmo! Ouro 24 quilates misturado no caviar. Para Affonso Rosário,  da Rei do Caviar, que importa os autênticos do Mar Cáspio, afirma que o ouro é um importante elemento com virtudes energizantes e previne o envelhecimento. Ele importou algumas destas preciosidades para o Brasil e garante que já tem cliente no Rio e em São Paulo.

caviar ouro comestível 02

Em Dubai encontra-se ouro em todos os lugares, na decoração, nas roupas e acessórios, e nos hotéis de lá, estão inovando servindo ouro na comida, nas bebidas e nas sobremesas”, diz Rosário.

Caviar ouro comestível 01

Será que pega esta moda por aqui?

Agradecimentos
Fernanda Carvalho - Contato Comunicação Assessoria
(21) 7864-6825 / 9979-7172

Destemperados: Do blog para o iPhone

Muita gente já ouviu falar do blog Destemperados, do trio de bloqueiros, Diogo, Manuela e Diego.

Trio

Não se consideram especialistas em nada, nem sequer sabem cozinhar muito bem, mas comer e beber bem em qualquer lugar, são seus passatempos. As incursões enogastronômicas, que fazem desde 2007, transformaram esse hobby num grande negócio. Além dos posts e da produção de guias gastronômicos com a parceira da marca Prazeres da Mesa, agora se lançam no mercado "gastro-tecnológico".

Barra Blog Amarelo Novo

Em sintonia com a empresa Queen Mob, ambos desenvolveram num aplicativo, gratuito (clique AQUI para baixar), para os donos de iphone e ipod Touch. Agora, todas as dicas dessa trinca de degustadores vão poder ser conferidas em novo formato. Através da Applestore Brasil (site de venda online), os donos de celulares da Apple poderão baixar o software e acompanhar as dicas atualizadas de Punta del Este, Serra Gaúcha, Porto Alegre e Florianópolis.

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O aplicativo conta ainda com um localizador que traça o roteiro dos restaurantes mais próximos, bem como a melhor rota do restaurante escolhido. Na Seção "Travel" na loja da Apple, ele já é quarto mais baixado da catgoria.

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E os usuários não perder por esperar, pois o grupo vai lançar, assim que possível, os guias do RIo de Janeiro, São Paulo e Buenos Aires.

Como não tenho um iPhone, e sim um HTC, só espero que eles possam lançar uma versão, também, para plataforma Pocket PC. Quem sabe! Nunca custar pedir! Abraços!

Referência e fotos:
Prazeres da mesa online e Destemperados

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Designer se inspira nos sete pecados para criar taças de vinho

7magogany

Os sete pecados capitais sempre estiveram presentes na vida de qualquer pessoa. Mas agora, eles estarão mais próximos ainda dos enófilos.

Apesar de o vinho não estar enquadrado em nenhum dos pecados, pode-se dizer que sempre esteve presente nos exageros. Baco, o deus romano do vinho, por exemplo, é conhecido por ser o deus dos excessos, principalmente sexuais e da natureza. Já a versão grega deste, o Dionísio está intimamente ligado às festas, ao vinho e ao prazer em geral.

Com isso em mente, o designer inglês Kacper Hamilton se inspirou nos sete pecados capitais para desenhar sete taças de vinho, cada uma representando um pecado.

AVAREZA

Avareza

GULA

Gula

INVEJA

Inveja

IRA

Ira

LUXÚRIA

Luxúria

PREGUIÇA

Preguiça

VAIDADE
Vaidade

Os copos são feitos na Inglaterra e é edição limitada.

Referência: notícia tirado do site da revista Adega

Site – Deadly Glasses

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

BRASTEMP DINNER IN THE SKY chega ao Rio

Brastemp Dinner in the sky

A Brastemp traz pela primeira vez no Brasil, a oportunidade de jantar em uma mesa suspensa por um guindaste a uma altura de 50 metros. O evento acontecerá no Pier Mauá, do dia 17 ao dia 23 de dezembro, e conta com 2 turnos por noite, sendo o primeiro às 20hrs e o outro às 22hrs. Criado na Bélgica, o Dinner in the Sky é uma  estrutura de ferro e cabos de aço que comporta 22 pessoas, o chef, o garçom e um funcionário. Sobre a cabeça dos funcionários, há um teto de acrílico para os dias de chuva.

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A Premiere Brastemp Dinner In the Sky possui em sua parte inferior o Stella N' BOX. Trata-se de 5 containers marítimos, de forma a receber e acomodar os convidados do jantar nas alturas com uma galeria de arte e um lounge. Também será servido um jantar de comida japonesa para aqueles que queiram desfrutar da experiência em solo.

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O menu contará com menu assinado pelos chefs Fred Frank, Emmanuel Bassoleil, Sérgio Torres, Flávio Myamura, entre outros e o valor do convite é de R$600 que dá direito a duas entradas, prato principal e sobremesa, além da bela vista da cidade.

Preços:
Jantar nas alturas - R$ 600,00 por pessoa
Jantar no Stella N'BOX - R$ 150,00 por pessoa

Para saber mais detalhes:
http://www.dinnerinthesky.com.br/brastemp/
http://www.stellanbox.com.br/

Fotos:
http://www.dinnerinthesky.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2009

As pequenas grandes cervejas

loiras

O brasileiro sempre gostou de uma “loira gelada” e agora começa a entender do assunto. Prova disso é o boom de microcervejarias que surgiram no Brasil nos últimos anos. Na década de 90, existiam no país apenas meia dúzia dessas pequenas cervejarias e praticamente ninguém sabia que existiam outros tipos de cerveja, além da pilsen, da malzbier e da light. “A estabilidade da moeda e a entrada de produtos importados de qualidade fez com que o mercado de cervejas especiais esquentasse a partir de 2004”, diz Cilene Saorin, mestre cervejeira e beer sommelier (especialista em harmonização de cervejas e comidas).

Cilene Saorin

Para quem não sabe, a diferença do chope para a cerveja é que a cerveja, para ser engarrafada e ter validade maior, passa por processo de pasteurização – 85% das microcervejarias fazem apenas barris de chope. Basicamente, cervejas e chopes se dividem, segundo o tipo de fermentação, em três “famílias”: lambics, ales e lagers.

  • As lambics são um caso raro de fermentação espontânea. A maioria dos tipos de cerveja se encaixa em uma das duas outras classificações.
  • As ales são aquelas cuja levedura sobe durante a fermentação, por isso são ditas “de alta fermentação”. O processo de fabricação é mais antigo, e as cervejas resultantes dele costumam ser encorpadas e de sabor e aroma mais pronunciados. Entre elas, estão alguns estilos que o brasileiro aprendeu a apreciar nos últimos anos, como a escura stout (Guinness, por exemplo) e a clara weissbier, feita de trigo.
  • Nas lagers, a levedura decanta, daí o termo “de baixa fermentação”. Nesta classificação se encaixam as velhas conhecidas dos brasileiros pilsen, malzbier e light.

Demoiselle

Com bons ingredientes, equipamentos modernos e profissionais especializados, as pequenas fábricas de cerveja vêm conquistando consumidores ávidos por novidades. Em 1995, o advogado Marcelo Carneiro da Rocha, abriu a cervejaria Colorado (localizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo) que hoje está entre as maiores microcervejarias do país. Foi projetada como um restaurante que produzia as próprias cervejas.

colorado

O Cervejarium, o bar da Colorado, oferece 100 rótulos, entre nacionais e importadas, além dos cinco de produção própria, como a famosa Demoiselle, uma porter de alta fermentação que leva café e foi medalha de ouro em sua categoria, em 2008, no European Beer Star, importante concurso internacional de que participaram 688 rótulos de 17 países. A Colorado ainda produz a Cauim, uma pilsen suave que leva mandioca; a Indica, uma india pale ale (estilo inglês mais carregado em lúpulo), que tem um traço suave de rapadura equilibrando o amargor; e a Appia, cerveja alemã de trigo que contém mel de flor de laranjeira.

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O especialista em fermentação e análise sensorial, Alexandre Bazzo, mestre cervejeiro e proprietário da Bamberg, segue a linha tradicional alemã na arte de fazer cervejas com algumas adaptações. São mantidos cinco rótulos regulares e outros cinco sazonais.

Alexandre Bazzo

Bazzo é engenheiro de alimentos, e abriu a Bamberg com dois irmãos, em 1995,, em Votorantim, interior de São Paulo. A pequena cervejaria começou com chope e, neste ano, passou a engarrafar.

devassa

Com uma proposta irreverente de marketing, a Devassa , fundada em 2004, oferece cervejas de sabor mais apurado e desenvolvidas para o clima brasileiro. O chopp é vendido na rede de bares de mesmo nome, no Rio e São Paulo, e garrafas long neck também são vendidas em outros bares e supermercados.

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Em agosto de 2007, o Grupo Schincariol adquiriu a UDC (União das Devassas Cervejaria), dona da marca Devassa. Analistas estimam que ela tenha sido vendida por cerca de R$ 30 milhões.

Gattopardo

Mestre cervejeira com doutorado na área e funcionária da Brahma por sete anos, Kátia Jorge foi a responsável pela fórmula da cerveja Devassa. Hoje, Kátia é uma das sócias da Gattopardo, inaugurada no bairro carioca do Leblon como um botequim. A Gattopardo produz 6 mil litros mensais de chope em três estilos, numa microcervejaria alugada. “Teremos nossa própria fábrica no ano que vem”, diz Kátia, que também espera abrir, no fim do ano, outra choperia Gattopardo, duas vezes maior, e lançar dois novos chopes.

Kátia Jorge

Kátia é, ainda, uma das únicas mulheres a comercializar a própria cerveja.

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A Baden Baden foi criada em 1999, com o nome tirado do restaurante dos mesmos donos, para ser uma fábrica-modelo na produção de cervejas artesanais. Adepta ao movimento mundial do Craft Beer Renaissance (que se traduz como o Renascimento da Cerveja Artesanal), ela levanta a bandeira do resgate das tradições milenares de produção de cerveja. Devido a sua grande distribuição no Sul, Sudeste e Centro Oeste, e capacidade de produção de 120 mil litros/mês, o Grupo Schincariol resolveu comprá-la, em janeiro de 2007, mas garantiu manter o caráter artesanal de produção.

Baden Baden artesanais

Na verdade, tudo ainda é novo no mercado de cervejas artesanais. Há, por exemplo, pesquisas alemãs com outras ervas para substituir o lúpulo na atribuição do amargor à cerveja. Nos Estados Unidos, na Europa e até no Brasil, cervejeiros vêm maturando a bebida em carvalho, produzindo verdadeiras iguarias.

Para os especialistas, a expansão vai continuar. Atualmente, as microcervejarias brasileiras são responsáveis por 1% do mercado, uma porcentagem pequena se comparada ao panorama norte-americano, no qual elas já representam 6% do volume de vendas. Mas, com uma regionalização cada vez mais intensa, elas podem chegar a abraçar de 3% a 5% do mercado.

Referência:
Post adaptado - matéria da revista Casa & Jardim (Texto: Cristiana Couto. Fotos: Daniela Toviansky) e informações do wikipedia (http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Common/0,,EMI104400-16777,00-AS+PEQUENAS+GRANDES+CERVEJAS.html) e (http://pt.wikipedia.org/wiki/Microcervejarias_no_Brasil) 

Agradecimentos: 
À Kátia Bonfadini que me sugeriu o tema através de um artigo que ela recebeu e à Verônica Cobas que gentilmente revisou o texto. Obrigado!

Cervejaria Colorado
site Colorado: http://www.cervejariacolorado.com.br/
site Cervejarium: http://www.cervejarium.com.br/
blog Cervejarium: http://cervejarium.com.br/blog/

Cervejaria Bamberg
site: http://www.cervejariabamberg.com.br/
blog: http://cervejariabamberg.blogspot.com/

Cervejaria Baden Baden 
site: http://www.cervejariabadenbaden.com.br/

Cervejaria Devassa
site: http://www.devassa.com.br/

terça-feira, 4 de agosto de 2009

“Vinhos” exóticos

Depois de um tempo fomentando algumas idéias, eu Jopin, estou de volta ao blog com textos novos para o deleite de nossos leitores. Espere que gostem!

Em todos os lugares que frequentamos, voltados para a aquisição de ensinamentos sobre o vinho, tais como, cursos, degustações, palestras e demais eventos, e mesmo em conversas com enófilos, sempre ouvimos, até com certa radicalização e um “certo olhar superior”, que “só se pode chamar de vinho  aquele que é feito de uva”. E de uvas viníferas, enfatizam! Não consideram como vinho, mesmo aqueles feitos de uva, mas processados com o fruto de castas voltadas para o consumo de mesa. E o resto, de outras variadas frutas? Nem merecem o seu comentário.  Seria uma forma de preconceito gastronômico – se isso existe? Bem, não cabe aqui, no conteúdo que quero dar a esse post, embrenhar-me nesse enfoque. É polêmica pura.

Quem já não saiu por aí, hospedando-se num hotel-fazenda, numa viagem a uma cidade do interior, uma chegadinha na roça, e não foi convidado a experimentar um vinho de jabuticaba, ou mesmo de maçã, de abacaxi e de tais frutas ”exorcizadas” (defenestradas) pelos especialistas? E como são deliciosos, embora seja uma heresia chamá-los de vinho, no conceito dos enófilos de plantão. Até acho que, se acessarem o post, provavelmente vão ter urticária, alergias e tudo mais, quando lerem sobre o que mostro aqui com relação à esses “vinhos bizarros”. Espero que não.

Pelas bandas da Austrália, considerado como um dos paises integrantes do “mundo novo “do vinho, ao norte de Queensland, há uma verdadeira região nobre do “não-vinho”: os vinhos de fruta.
Um viajante, no seu trajeto pelas estradas, desde que saiu de Sidney percebeu  a existência de cartazes à beira da estrada anunciando caves de vinhos de fruta: manga, kiwi, maracujá, lichia e uma variedade enorme desses parentes da uva. Imagine: caves de vinho de frutas!

Vejam só que coisas lindas, essas frutas que doam os seus néctares para a preparação da deliciosa bebida.

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Lichia (Lychee)

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Mangostão (Purple mangosteen)

Paw paw

Paw-paw (Paw-paw)

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Sapota negra (black sapote)

Manga

Manga (Mango)

Olhem só o que dizem a respeito do vinho de manga (mango wine):

Golden Drop 

O seco é claro e fresco com um sutil buquê de fruta. É um versátil e easy vinho que pode acompanhar muitos pratos que contenham curry e ervas aromáticas.

O médio é um vinho semi-doce, mais macio no paladar com uma sugestão mais forte de fruta. É soberbo com frutos do mar ou aves.

O suave é muito macio e tem uma sub tonalidade da fruta. Perfeito para depois de um jantar, e no acompanhamento de queijos, frutas e sobremesas.

Acredito, pelo que dizem, que não fica a dever nada ao vinho de uvas viníferas. Quero um dia experimentar.

Uma dessas vinícolas, (ou seriam “frutícolas” ?), a Shannonvale Tropical Fruit Wine Company produz vinho a partir de frutas tropicais, como maracujás, lichias, figo, carambola, jaca, rambutan (não conheço), toranja, laranja, maçã, cereja, baku (não conheço), gengibre e limas, além de mangas e muitas outras. Todos os vinhos são feitos nas variedades de seco, meio-seco, doce e generoso (não conheço essa variedade, citada no artigo, no Brasil. Seria um erro de tradução?).

shannonvalewine

E nós que ficamos aqui, na base da jaboticaba, jurubeba, que são os que conheço. Em breve, pretendo elaborar um post sobre os  vinhos de fruta no Brasil. Estou pesquisando. Engraçado, foi mais fácil saber dos australianos!

E ainda, segundo o relato do viajante, ele descobriu algo extremamente exótico na figura do, pasmem, vinho de banana. Eu conheço uma cachaça de banana, fabricada no Paraná, em Paranaguá.

Vinhos de fruta

Vejam essa “ousadia”. Conforme citado no artigo, um enólogo Brian Wilson, conhecido pelas suas idéias inovadoras, tem sido criados vinhos de frutos exóticos, combinando diversos tipos. Tropical White é uma mistura de banana, coco, ananás e manga. Em Tropical Red, Brian Wilson juntou banana, manga vermelha e pitaia (não sei o que é) que, envelhecido em barris de carvalho, produz um vinho com sabores delicados e taninos finos. Rainforest White, uma combinação de banana, lima selvagem, mirtilo, manga e dióspiro, refletindo o espírito da floresta úmida australiana, enquanto em Rainforest Red, o enólogo combina ameixa, morangos selvagens e banana, deixando o vinho a envelhecer em barris de carvalho francês.

Não há em mim nenhuma pretensão, (quem sou eu?) em contestar o conceito ortodoxo da cultura e tradição enófila de que vinho “verdadeiro” é só de uva e, vinho de fruta não é vinho. Mas não posso deixar de fazer a pergunta. Por acaso, uva não é fruta?  

Caso queiram viajar por esse “mundo novo” dos vinhos de frutas, há alguns endereços interessantes para um “wine fruit tour”. Bon voyage!

Golden Pride Wineries

Shannonvale Tropical Fruit Wine Company

Murdering Point Winery

Paradise Estate Wines

No post são citadas algumas frutas que desconheço. Se algum leitor souber de algo sobre elas, informe ao blog, para darmos conhecimento aos demais.

A elaboração deste post teve por base informações obtidas no artigo de autoria de M. Margarida Pereira-Müller , “Desculpe, o que disse? Vinhos de fruta?”, fonte: Maia Hoje, edição de 27/11/06 e nos sites acima citados.

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