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sábado, 22 de agosto de 2009

Curso de Queijos e Vinhos - Parte 2

Queijos e vinhos

Já faz um tempo que a segunda parte do curso de queijos e vinhos acabou, mas só agora consegui colocar as informações no "papel", ou seja, no post.
Na primeira parte do curso foram apresentados alguns queijos harmonizados com seus respectivos vinhos, todos sugeridos pelo Prof. Célio Alzer, da ABS. Nessa segunda parte, as indicações do Célio trouxeram algumas surpresas, principalmente na harmonização com vinho do porto. Vocês verão!

Emmental02

O primeiro queijo da noite foi o famoso emmental. Esse queijo suíço, de cor amarelada e consistência média, tem como principal característica as chamadas "olhaduras" (buracos internos). Essas olhaduras são produzidas pelas bactérias propiônicas que geram uma forte produção de gás carbônico, resultando na formação dos buracos. Geralmente os queijos propiônicos são mais adocicados, com um sabor levemente amendoado, de aroma intenso e textura bem firme. O tempo de cocção (técnica de preparação de alimentos através de calor) desses queijos pode levá-los a ter uma cor ligeiramente acastanhada.

Duque de Viseu Branco

Para o emmental, a sugestão do Célio era harmonizar com o vinho português Duque de Viseu, branco, safra 2007, da Quinta dos Carvalhais. É um vinho proveniente de uma região do Dão, que produz tradicionalmente vinhos tintos. Na verdade, cerca de 80% da produção da região é direcionada para os tintos. O branco que experimentamos é feito com uvas das castas Bical e Encruzado. O sabor do emmental se harmonizou bem com esse branco frutado e de aroma agradável. Ainda foi servido junto a um pedaço de pêra e de baguete.
Além dessa indicação, Célio sugeriu, para quem quisesse experimentar depois, uma harmonização com um vinho da uva Gewustraminer, que, segundo ele, também seria uma ótima opção.

Camembert02

Para o segundo queijo, o escolhido da vez foi o camembert. Considerado um queijo de pasta mole, é originário da região da Normandia na França e tem bastante semelhança com o brie. É feito de leite de vaca e apresenta-se com uma fina camada de bolor (penicillium) branco. Para a harmonização, a opção do Célio foi o vinho Chateau Bel Air Perponcher Reserve 2006.

Chateau Bel Air 2006

É um tinto leve da região de Bordeaux, feito com 80% de uvas Merlot e 20% de Cabernet Sauvignon. Nota-se a abundância do sabor frutado e a ausência de barrica, o que reage bem ao sabor mais leve do camembert. Foi servido também com pedaços de baguete e, dessa vez, com maçã Fuji vermelha.

 

Minolta DSC

Como terceira opção de queijo tivemos o reblochon. Nunca tinha saboreado esse queijo e para mim parecia muito como o camembert, pelo menos em termos de aparência, só um pouco mais amarelado.

REBLOCHON03

Considerado um queijo de massa mole prensada não cozida, é feito de leite bem gordo e geralmente são necessários cinco litros de leite para se fazer um queijo de 450g.

Alamos

O vinho escolhido foi o Alamos Cabernet Sauvignon 2007, da vinícola Catena Zapata. Por ter ficado pelo menos oito meses em barrica, é um vinho mais encorpado. Na minha opinião, foi uma excelente escolha. O reblochon escolhido pelo Célio era da marca Witmarsum, que é uma cooperativa do Paraná, distribuidora da Cave Du Fromage. Para a degustação, foi escolhido a maçã vermelha com o pão ciabatta. Ficou muito bom!

 

gorgonzola

Para o final, Célio guardou a maior novidade: sua harmonização do queijo gorgonzola com o vinho do porto, Ruby Andresen.

Porto Andresen

Uma verdadeira descoberta. A melhor "parceria" da noite. A mistura inusitada deu super-certo! Para quem não sabe, o gorgonzola é uma variedade de queijo, feito a partir do leite de vaca, originário da Itália. Tem sabor e aroma bem intenso devido seu processo de maturação, que forma pequenos veios de mofo azul, resultado da inserção do fungo Penicilium Roqueforti. Sua característica de paladar ligeiramente salgado deu um toque especial na sinergia com o adocicado do vinho do porto. A denominação de vinho do porto se faz para aqueles vinhos fortificados, ou seja, que têm sua fermentação interrompida ainda na fase inicial para que recebam uma carga de aguardente vínica, o que resulta em um vinho mais forte (com teor de álcool entre 18 e 22 graus) e mais doce (devido a fermentação incompleta, parte do açúcar natural das uvas não se converteu em álcool). O vinho do porto é produzido com as uvas da região do Douro, norte de Portugal.

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O vinho servido era da categoria Ruby, o que quer dizer que eles envelhecem em balseiros (barricas com até 20.000 litros) e por terem pouco contato com a madeira (devido a relação superfície/volume ser pequena) conservam suas características iniciais por mais tempo. São mais frutados e com aspectos de vinho jovem. Junto ainda foi servido um pedaço de pão de nozes com passas da Confeitaria e Restaurante Garcia & Rodrigues, além de fatias de pêra. Excelente pedida.

Com essa incrível experiência, fechamos o curso com chave de ouro. Mais uma vez,o Prof. Célio expôs com grande conhecimento seus ensinamentos, frutos de estudo, prática e muita dedicação.
Quem não fez o curso, aconselho que o faça, pois é chance de não só aprender um pouco mais sobre o assunto, mas, também com boa companhia, poder desfrutar desses sensacionais queijos e vinhos. Abraços à todos

terça-feira, 7 de julho de 2009

Curso de Queijos e Vinhos – Parte 1

Recentemente, recebi um e-mail da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RJ) sobre o curso de queijos e vinhos, realizado anualmente na instituição, e sob o comando do grande conhecedor do tema, Celio Alzer.
Como é um evento bastante tradicional e suas vagas são sempre muito disputadas, resolvi participar. Esse ano, o curso ganhou um novo formato, dividido em duas aulas, o que achei bastante interessante, pois nos dá tempo para formatar as informações da primeira aula e, para no caso de dúvidas, resgatar as respostas na segunda.

Queijos e vinhos

No dia 2 de julho aconteceu a primeira aula. Havia bastante gente, mas como cheguei cedo, consegui pegar um bom lugar à frente. Célio Alzer é um professor excelente. Experiente, realmente um conhecedor de vinhos, além de possuir uma didática perfeita e uma personalidade ímpar. Sua forma de desmistificar o assunto, é pra mim, a melhor de suas qualidades.
A proposta do curso era informar sobre como montar um evento de queijos e vinhos, escolhendo os queijos, frutas e pães mais adequados, suas quantidades, corte e apresentação dos queijos, sempre associando e harmonizando-os com algumas boas opções de vinhos.
Nessa primeira aula, Célio introduziu algumas dicas simples, mas muito importantes:

  • Uma recepção de queijos e vinhos pode ser realizada em qualquer época do ano. Não precisa esperar o inverno para realizar a sua.
  • Não há regras fixas. O que existem são sugestões testadas e aprovadas por pessoas de bom gosto.
  • Convide poucas pessoas. Uma média de 6 a 8 casais já requer um bom trabalho, portanto fazer com mais pessoas, só se não tiver jeito mesmo, e aí prepare para suar a camisa.
  • Os queijos de massa mole (ricota, minas frescal, chèvre fresco) e os de meia cura (brie, camembert, emmental, port salut, tilsit, e gouda) devem ser retirados da refrigeração pelo menos meia hora antes de serem servidos. Já os de massa dura (parmesão, provolone, pecorino e chèvre curado), pelo menos duas horas antes.
  • A colocação dos queijos à mesa deve ser sempre sem as embalagens, sobre tábuas de madeira. Não tire a casca dos queijos de casca dura e não corte os queijos em cubinhos, pois tendem a perder o sabor à medida que o tempo passa.
  • Mantenha uma faca para cada queijo e faça um pequeno corte só para indicar como o queijo deve ser cortado pelo seus convidados.

Ao longo da aula, tivemos a possibilidade de apreciar quatro opções de queijos com quatro opções de vinho, e algumas sugestões de frutas e pães.
A primeira opção foi, na verdade, uma tríade. Três queijos de cabra, oferecido pelo pessoal da Caprilat: um queijo gran caprino, um caprino serrano e um esférico.

 

O gran caprino tem a sua massa e casca semidura. Possui textura consistente e é levemente salgado. Sua maturação é de. no mínimo. 45 dias.

O caprino serrano tem a casca amarelada, mas seu miolo bem macio. Elaborado de forma similar aos queijos holandeses tipo gouda, tem sua maturação mínima de 40 dias.

E já o esférico, com sabor bem delicado, é o mais branco de todos. Segue a receita similar dos renomados queijos "creme bola", elaborados no sul de Minas.

Veramonte Sauvignon Blanc Reserva 2008

A escolha do vinho a ser acompanhado com essa trinca de queijos de cabra foi o Veramonte Reserva Sauvignon Blanc 2008, da Vinícola Veramonte, do Vale de Casablanca, no Chile. A harmornização foi na medida certa. Leve e com boa acidez, o vinho branco casou muito bem com o queijo de cabra, devido seu sabor delicado.

Brie de Meux

Para a segunda opção, Célio escolheu o queijo brie da Serra das Antas. Feito de leite de vaca, o brie geralmente pode ser de dois tipos: de Meaux ou de Melun. O primeiro tem sua textura bem macia e leve sabor de cogumelo. Já o Melun tem um sabor mais pronunciado e é um pouco mais salgado. A opção escolhida foi o do tipo Meaux, que foi servido junto com pedaços de maçã fuji vermelha.

Julienas 2006

O vinho da vez foi um Beaujolais (vinho francês geralmente feito de uvas do tipo Gamay, com casca fina e pouco tanino) da Maison Coquard: o Juliénas 2006. De sabor bem leve e frutado, esse tinto equilibra bem com o brie. Quem quiser experimentar, pode escolher outros vinhos tintos, porém sempre leves e jovens para se adequarem ao paladar do queijo.
Nesse momento é interessante dar outras dicas importantes para o serviço dos queijos:

  • Não precisa escolher um grande vinho para se adequar ao queijo escolhido. Os grandes vinhos você guarda para quando for comer grandes pratos.
  • A quantidade de queijos deve ser na faixa de 200-250 gr por pessoa, em média. No caso dos vinhos, a média é meia-garrafa por pessoa.
  • A temperatura de serviço dos queijos deve estar na por volta de 20-25 graus.

Pecorino

A terceira opção da noite foi o queijo pecorino. Feito a partir de leite de ovelha, o pecorino tem sua textura dura e sabor forte. O pecorino é encontrado em três tipos de variações: romano, toscano e sardo.

Pecorino Romano1

Pecorino Toscano1

Pecorino Sardo1

Vindo da Casa da Ovelha, situada na região de Bento Gonçalves - RS, o pecorino escolhido foi o Toscano com 180 dias de maturação. Servido junto com pêra (williams ou d`água), seu sabor ficou bem destacado.

Pecorino Toscano 180 dias

E para finalizar essa harmonização, o vinho servido foi um tinto com um pouco mais de estrutura: um Rosso Piceno 2007, da Saladini Pilastri. Feito com 70% de uvas sangiovese e 30% montepulciano, oe vinho tem o diferencial de ser fermentado em tanques de aço e depois envelhecido por 6 meses em imensos barris de carvalhos.

Rosso Piceno 2007

Para fechar a noite, a quarta opção foi uma boa surpresa, tanto no queijo quanto no vinho. O old dutch master foi o queijo escolhido. De origem holandesa, é queijo de sabor intenso e longo tempo de maturação. E essa característica, sem dúvida, me surpreendeu.

Old Dutch Master2

É um queijo feito a partir do leite de vaca e extremamente curado. Desenvolve pequenos cristais em seu interior de amarelo intenso, o que lhe confere um gosto característico e saboroso.

  MEDION DIGITAL CAMERA

O vinho escolhido foi um verdadeiro achado do Célio. Encontrado no Supermercado Zona Sul, o vinho tinto espanhol da região de Manresa (Barcelona), da Bodegas Roqueta: o Campo Lindo Gran Reserva 2001 foi o melhor da noite, na minha opinião. Bem encorpado, com taninos bem presentes, resultado de 70% de tempranillo e 30% de cabernet sauvignon, fez a sua parte em domar a intensidade do queijo.

Campo Lindo Gran Reserva 2001

Apesar não termos tido a oportunidade de provar, o Célio comentou sobre os queijos primadonna que são muito parecidos com o gouda, porém com um tempo menor de maturação. Enquanto um gouda leva de 4 a 6 anos, o primadonna leva em média um ano.

Gouda

De origem holandesa, o primadonna se apresenta com duas embalagens de apresentação, com cor da cera externa vermelha (maior tempo de maturação) e azul (menor tempo).

Queijo Primadonna

Junto com toda essa variedade de queijos e vinhos, os pães servidos foram a baguete e o ciabata.
Bem, essa foi só a primeira aula. A segunda será dia 9 de julho, portanto aguardem as próximas novidades. Espero que tenham gostado. Até lá!

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