terça-feira, 4 de agosto de 2009

“Vinhos” exóticos

Depois de um tempo fomentando algumas idéias, eu Jopin, estou de volta ao blog com textos novos para o deleite de nossos leitores. Espere que gostem!

Em todos os lugares que frequentamos, voltados para a aquisição de ensinamentos sobre o vinho, tais como, cursos, degustações, palestras e demais eventos, e mesmo em conversas com enófilos, sempre ouvimos, até com certa radicalização e um “certo olhar superior”, que “só se pode chamar de vinho  aquele que é feito de uva”. E de uvas viníferas, enfatizam! Não consideram como vinho, mesmo aqueles feitos de uva, mas processados com o fruto de castas voltadas para o consumo de mesa. E o resto, de outras variadas frutas? Nem merecem o seu comentário.  Seria uma forma de preconceito gastronômico – se isso existe? Bem, não cabe aqui, no conteúdo que quero dar a esse post, embrenhar-me nesse enfoque. É polêmica pura.

Quem já não saiu por aí, hospedando-se num hotel-fazenda, numa viagem a uma cidade do interior, uma chegadinha na roça, e não foi convidado a experimentar um vinho de jabuticaba, ou mesmo de maçã, de abacaxi e de tais frutas ”exorcizadas” (defenestradas) pelos especialistas? E como são deliciosos, embora seja uma heresia chamá-los de vinho, no conceito dos enófilos de plantão. Até acho que, se acessarem o post, provavelmente vão ter urticária, alergias e tudo mais, quando lerem sobre o que mostro aqui com relação à esses “vinhos bizarros”. Espero que não.

Pelas bandas da Austrália, considerado como um dos paises integrantes do “mundo novo “do vinho, ao norte de Queensland, há uma verdadeira região nobre do “não-vinho”: os vinhos de fruta.
Um viajante, no seu trajeto pelas estradas, desde que saiu de Sidney percebeu  a existência de cartazes à beira da estrada anunciando caves de vinhos de fruta: manga, kiwi, maracujá, lichia e uma variedade enorme desses parentes da uva. Imagine: caves de vinho de frutas!

Vejam só que coisas lindas, essas frutas que doam os seus néctares para a preparação da deliciosa bebida.

Lichia1

Lichia (Lychee)

Mangostao1

Mangostão (Purple mangosteen)

Paw paw

Paw-paw (Paw-paw)

Sapota preta_Diospyros_digyna

Sapota negra (black sapote)

Manga

Manga (Mango)

Olhem só o que dizem a respeito do vinho de manga (mango wine):

Golden Drop 

O seco é claro e fresco com um sutil buquê de fruta. É um versátil e easy vinho que pode acompanhar muitos pratos que contenham curry e ervas aromáticas.

O médio é um vinho semi-doce, mais macio no paladar com uma sugestão mais forte de fruta. É soberbo com frutos do mar ou aves.

O suave é muito macio e tem uma sub tonalidade da fruta. Perfeito para depois de um jantar, e no acompanhamento de queijos, frutas e sobremesas.

Acredito, pelo que dizem, que não fica a dever nada ao vinho de uvas viníferas. Quero um dia experimentar.

Uma dessas vinícolas, (ou seriam “frutícolas” ?), a Shannonvale Tropical Fruit Wine Company produz vinho a partir de frutas tropicais, como maracujás, lichias, figo, carambola, jaca, rambutan (não conheço), toranja, laranja, maçã, cereja, baku (não conheço), gengibre e limas, além de mangas e muitas outras. Todos os vinhos são feitos nas variedades de seco, meio-seco, doce e generoso (não conheço essa variedade, citada no artigo, no Brasil. Seria um erro de tradução?).

shannonvalewine

E nós que ficamos aqui, na base da jaboticaba, jurubeba, que são os que conheço. Em breve, pretendo elaborar um post sobre os  vinhos de fruta no Brasil. Estou pesquisando. Engraçado, foi mais fácil saber dos australianos!

E ainda, segundo o relato do viajante, ele descobriu algo extremamente exótico na figura do, pasmem, vinho de banana. Eu conheço uma cachaça de banana, fabricada no Paraná, em Paranaguá.

Vinhos de fruta

Vejam essa “ousadia”. Conforme citado no artigo, um enólogo Brian Wilson, conhecido pelas suas idéias inovadoras, tem sido criados vinhos de frutos exóticos, combinando diversos tipos. Tropical White é uma mistura de banana, coco, ananás e manga. Em Tropical Red, Brian Wilson juntou banana, manga vermelha e pitaia (não sei o que é) que, envelhecido em barris de carvalho, produz um vinho com sabores delicados e taninos finos. Rainforest White, uma combinação de banana, lima selvagem, mirtilo, manga e dióspiro, refletindo o espírito da floresta úmida australiana, enquanto em Rainforest Red, o enólogo combina ameixa, morangos selvagens e banana, deixando o vinho a envelhecer em barris de carvalho francês.

Não há em mim nenhuma pretensão, (quem sou eu?) em contestar o conceito ortodoxo da cultura e tradição enófila de que vinho “verdadeiro” é só de uva e, vinho de fruta não é vinho. Mas não posso deixar de fazer a pergunta. Por acaso, uva não é fruta?  

Caso queiram viajar por esse “mundo novo” dos vinhos de frutas, há alguns endereços interessantes para um “wine fruit tour”. Bon voyage!

Golden Pride Wineries

Shannonvale Tropical Fruit Wine Company

Murdering Point Winery

Paradise Estate Wines

No post são citadas algumas frutas que desconheço. Se algum leitor souber de algo sobre elas, informe ao blog, para darmos conhecimento aos demais.

A elaboração deste post teve por base informações obtidas no artigo de autoria de M. Margarida Pereira-Müller , “Desculpe, o que disse? Vinhos de fruta?”, fonte: Maia Hoje, edição de 27/11/06 e nos sites acima citados.

13 comentários:

*-._.-* Anita *-._.-* disse...

João, que visão linda destas frutas, e saber que proporcionam sabores tão raros nos vinhos, mais curioso ainda...

Quanto a saber algo das frutas, só sei que Lichia e manga eu como sempre e adoro! hehehehehehe

bjs e boa semana amigo!

Lucia Laureano disse...

João,
Os vinhos de frutas parcem curioso, mas são bem gostosinhos... Segue a linha do vinho mais doce, mas eu tomo sem preconceitos!
Ah! Não resistimos e provamos o vinho que ganhei aqui no sorteio este fim de semana e estava uma delícia!
beijos,

Blog do Jopin disse...

Olá, Anita e Lúcia Laureano, obrigado pelos comentários.
Essas maravilhosas frutas permitem tudo, desde a degustação “in natura”, a sua preparação em sucos, a transformação em compotas, doces, geléias, sorvetes e tais, a adição a pratos da culinária e até com essa preciosa elaboração em vinhos, alçando-as à categoria de bebida nobre.
Um abraço do Jopin

Paty disse...

oi, muito interessante a sua reportagem! realmente estes " vinhos" devem ser muito saborosos, mas eu concordo, devem ter outro nome, pois vinho mesmo, s´o de uva

Verônica Cobas disse...

Oi, Jopin

Como meu paladar desgosta um pouco dos vinhos doces, não posso dizer que os compraria. Ou mesmo degustaria com prazer. Todas as vezes que experimentei - e agora lembro que até provei os frutados australianos - não gostei muito. Tendem a me causar dor de cabeça. Mas toda experiência de prazer - e as experiências etílicas assim o são - vale a pena. Quem sabe eu não experimente o de manga e até me encante??

bjs. Veronica

Blog do Jopin disse...

Olá, Paty. O que me despertou a elaborar esse post foi, justamente, mostrar esse contraste na conceituação entre o vinho de uvas e o que chamam de “vinho de frutas”. Segundo o Dicionário Houaiss, numa primeira acepção, vinho é “...bebida resultante da fermentação alcoólica total ou parcial do mosto da uva...” e, pelo enfoque químico, “...produto oriundo da fermentação do suco da esmagação ou maceração das células das uvas, por células de leveduras e, em alguns casos, por células de bactérias lácticas...”.
No entanto, nesse mesmo dicionário, se define o termo “vinho”, por extensão de sentido, como “..bebidas resultantes da fermentação do sumo de plantas ou frutas, possuindo algumas propriedades medicinais, p.ex. maçã, palma” e, “ licor fermentado extraído de vegetais”. Adoro polêmicas! (rs) Creio que o melhor e deixar as definições de lado e degustar todos eles.
Abraço do Jopin

Blog do Jopin disse...

Olá, Verônica.
Eu também não sou muito chegado a vinhos doces, e nem mesmo a doces, de um modo geral. Estou mais para “salgadeiro” e adepto dos sabores mais encorpados, amargos, acres (no sentido culinário) e mais condimentados. Mas, no caso dos vinhos de frutas – diriam alguns, essa beberagem – (rs), há também, segundo o artigo, tipos secos e meio-secos, que talvez tragam um pouco mais de mistério e prazer a essa descoberta. Eu estou curiosíssimo para experimentar! E quem sabe, também me encantar com essa novidade?
Bijus do Jopin

Katia Bonfadini disse...

Que interessante esse post! O vinho de banana me pareceu o mais exótico. Já provei cerveja de cereja, banana, côco e framboesa, mas vinho???? Nunca tinha ouvido falar! Eu adoraria ter a oportunidade de experimentar vinhos feitos com outras frutas. Se for na Austrália, melhor ainda!!! Bjs!

Anônimo disse...

Para mim vinho ainda é "fruto da videira e do trabalho do homem" não seria melhor chamar-lhe licor, uma vez que apenas advém de árvores de fruto.Devo dizer que aprecio todo o tipo de licores, mas vinho é vinho;e vinho vem de videira.

Feh Lennon Lemmy disse...

Eu adoro bebidas fermentadas, um dia curioso sobre o sabor do hidromel eu fiz e hj faço em casa hidromel, então vendo ser facil fazer bebidas fermentadas eu fiz alguns tipos de "vinhos" de frutas,
como abacaxi e manga. Estão fermentando os proximos que experimentarei são pitanga, morango e um tipo de avô da cachaça o vinho de cana.

Se quizerem informações me add no msn:
shadows_ways_feh@hotmail.com

luiz henrique lopes de souza disse...

Bom dia, belo artigo essa e uma area muito sensível e delicada, eu ja faço em casa o vinho de laranja, maracujá, frutas vermelhas, as pessoas estão muito fechadas as novos tendencias, assim como os micro cervejeiros, cervejas artesanais estão enfrentando, e muito difícil entrar num mercado seleto, nao fechado. Meu conselho e experimente... O acesso ainda e bem difícil, experimente faça voce mesmo, acredite o prazer em beber e servi, e muito bom. O que as grandes produtoras tem e medo. Pois quanto mais qualidades mas elas tem a perder, mas saborear suas receitas sao ótimos, afinal vinho e vinho, o nome vinho bem do processo de fabricação, fermentação, maturação, seguindo os passos do vinho, e como nosso amigo disse para chamar de licor, bem longe cor e simplesmente um xarope e acrescenta cachaça ou vodka, fica a dica. Ja no vinho o álcool vem da fermentaçao dos açúcares em álcool.

Russel Jose Schmitz disse...

Receita simples para vinho de frutas

Não existe nenhuma ciência para se fabricar vinho de frutas. O vinho decorre da simples fermentação das frutas. Há frutas que se transformam em vinho naturalmente. Quem ainda não comeu uma fruta doce, apanhada no pé, que não sentiu um gostinho de vinho ou até de vinagre. Dependendo das circunstancias de como ela fermenta, ainda na própria árvore, pode se transformar em vinho ou vinagre.
Os fabricantes de vinho costumam adicionar açúcar e levedos para favorecer a fermentação e estabelecer o teor alcoólico do produto. Durante a fermentação o açúcar adicionado soma-se ao açúcar natural das frutas e se transforma em álcool e as leveduras dão início ao processo da fermentação.
Há quem faça vinho acrescentando somente açúcar à fruta. As leveduras (bactérias) que transformam a fruta em vinho muitas vezes estão presentes nos utensílios de fabricação, tal como os barris ou recipientes de madeira, que já foram usados anteriormente para fabricação daquele vinho ou até na casca das próprias frutas.

Russel Jose Schmitz disse...

Prosseguindo....
Quanto ao sabor resultante do processo de fabricação: textura, cor, adstringência, teor alcoólico, acidez e outras milhares de características que um vinho pode apresentar, dependem apenas, de como o produtor constrói seu produto.
Então experimente fazer um vinho: Por exemplo. “De laranja “. Passe algumas laranjas no espremedor de frutas; Coe o suco e o coloque em um recipiente, com um pouco de açúcar. Uma pitadinha de fermento biológico e pronto. Acompanhe a fermentação durante mais ou menos 1 semana até acabar a fermentação tumultuosa e apure o vinho em menos de trinta dias realizando transfegas até ficar limpo.
A receita você fará de acordo com o seu paladar. Às vezes as receitas prontas não traduzem seu gosto esperado.

Related Posts with Thumbnails