Traduzindo, Dans le Noir significa: no escuro e é exatamente essa a proposta do lugar: comer e beber no escuro total. O cliente escolhe o prato no bar iluminado (em 90% dos casos opta pelo menu confiança, onde a escolha de toda a refeição é feita pelo Chef) – e é levado até sua mesa, em fila indiana, por garçons cegos ou com forte deficiência visual.
Copos inquebráveis sobre a mesa, ele tateia atrás dos talheres e come sem saber se é peixe ou frango, arroz ou sopa. A intenção, dizem os criadores do restaurante, é acentuar o sabor dos pratos, criando uma experiência gastronômica única.
Inaugurado no final de 2004 em Paris, o restaurante Dans le Noir prova ter conseguido uma fórmula certa de atrair o público: usar a sensibilidade dos sentidos. Depois de inaugurar outro estabelecimento em Londres no ano de 2005, Moscou foi a última capital européia que ganhou, no fim do ano passado, uma filial do restaurante criado por Edouard de Broglie e Etienne Boisrond, dois ex-publicitários, que enfrentam críticas na mesma medida em que recebem elogios. E parte delas vem dos especialistas em gastronomia, que dizem ser absurdo comer sem olhar a comida, pois parte da experiência gastronômica é observar cores, formas e texturas de pratos e vinhos, antes de degustá-los. De qualquer forma, os donos acham que é uma experiência positiva e um modo interessante de tornar as pessoas sensíveis à diversidade.
Apesar das críticas, o sucesso é grande e de acordo com a imprensa francesa, a reserva para uma mesa local deve ser feita com algumas semanas de antecedência.
Outras cidades do mundo já imitaram a idéia. No Canadá, em Montreal, é possível comer no Onoir sob as mesmas condições. Os alemães já contam com o Unsicht-Bar, em Berlim e Colônia. No Brasil, a idéia original ainda não foi suficientemente convincente a fim de se investir em tal empreendimento. Quem sabe no futuro?!