domingo, 24 de maio de 2009

Rio Restaurant Week - SKYLAB (Rio Othon Palace)

Depois de ter passado pelo Aquim Café no sábado à tarde, o dia ainda merecia uma programação. Como já havia pensado na possibilidade de ir jantar em algum lugar onde cenário e ambientação fizessem realmente diferença, decidi pelo Skylab Bar e Restaurante.

Combinei, ainda no Aquim, com Paula e nosso querido casal amigo, Verônica e Carlos, para juntos usufruirmos dessa nova aventura gastronômica. Telefonei para reservar, mas infelizmente o atendente disse que devido à grande procura, por causa do evento Rio Restaurant Week, eles não estavam realizando reservas. Apesar disso, resolvemos tentar.




O Skylab é o restaurante do Rio Othon Palace, um dos tradicionais hotéis cinco estrelas da cidade do Rio de Janeiro. Está localizado no 30o andar do hotel e com uma vista privilegiada de toda a orla da praia de Copacabana. Em 2008, o restaurante passou por reformulações significativas, modernizando sua decoração, iluminação e cardápio.


O Skylab atende aos 586 apartamentos disponíveis do hotel e possui a opção de café da manhã, almoço e jantar. Quem preferir comer à beira da piscina, pode utilizar a área externa do Skylab. mais voltada para atendimento de bar e tendo à frente a generosa visão da praia de Copacabana. Quem quiser conferir o visual mais requintado, a melhor escolha é a do interior do salão do restaurante. Ninguém se arrependerá de qualquer uma das opções!



À frente da cozinha do Skylab está o chef Jean Yves Poirey, um francês que combina ingredientes regionais com sua experiência adquirida na culinária francesa e em suas andanças ao redor do mundo.

Só pra contar um pouquinho desse chef, pois acho essas histórias sempre muito interessantes, ele se formou pela escola de hotelaria Thonon-Les Bains, uma das instituições de gastronomia mais conceituadas na França, Jean Yves foi responsável pela cozinha do Hotel Meridien, no Rio de Janeiro durante oito anos, com passagens por vários hotéis da rede, em Salvador, Portugal, Oriente Médio e África. Teve várias experiências internacionais em cruzeiros marítimos e comandou restaurantes em Genebra e na França. Hoje, de volta ao Brasil, já se sente um pouco brasileiro, pois casou-se com uma baiana e tem duas filhas brasileiras.


O Skylab promove durante todo o ano festivais gastronômicos temáticos, para aqueles que quiserem provar das diversas culinárias ao redor do mundo. E não se pode esquecer da incrível feijoada Othon, que acontece todos os sábados e que além dos 16 tipos de carnes, separadas em panelas de ferro, inclui também uma grande variedade de frios, queijos, saladas, sobremesas e os tradicionais acompanhamentos, regados com caipirinhas e música ao vivo. Um programa e tanto!
Eu e Paula chegamos ao Rio Othon perto das 19h30, pois com a impossibilidade de reservas, chegar cedo era primordial para o nosso programa não furar. Para não correr o risco acabar estacionando longe, resolvemos usar o serviço de valet park do hotel. Primeiro tomamos um susto, pois estava sendo cobrado R$15,00, pelo serviço. Uau!! Mas, para a nossa sorte, o manobrista nos informou que como estávamos indo para o restaurante, ao término do jantar pedíssemos que o garçom carimbasse o cartão para que o valor fosse abonado. Foi um alívio!

O Hotel Rio Othon é realmente luxuoso e requintado. E não apenas pela beleza do lugar e a gentileza de seu grupo de profissionais. Até o final do post vocês vão entender o porquê.
Pois pegamos o elevador e subimos para o 30o andar. O elevador parecia um foguete de tão rápido. Os números pulavam rapidamente no painel eletrônico, mas a sensação era de que não havia movimentação no elevador. Silencioso e eficiente.

Chegamos no terraço, onde se localiza o Skylab, e fomos atendidos gentilmente pelo maitrê executivo, Saraiva. Eles nos informou que algumas mesas estavam sendo reservadas para os hóspedes do hotel, e que verificaria se havia alguma disponível. Logo depois fomos prontamente levados até uma das mesas que estava vaga. Como as nossas companhias ainda não tinha chegado, fomos conhecer a área do bar, que fica ao lado do restaurante. À frente do bar está localizada a piscina do hotel que, por sinal, faz uma excelente combinação com o visual. Afinal estamos no topo de um edifício de 30 andares e com a vista para uma das praias brasileiras mais conhecidas em todo o mundo, Copacabana.

Logo que voltamos ao salão do restaurante, o prestativo e gentil Saraiva nos informou que uma das reservas perto da janela havia sido cancelada e perguntou se gostaríamos de trocar de mesa. Com a vista que teríamos da praia, calçadão e de todos os outros prédios da orla, a resposta não era difícil.

Pouco tempo depois, nossos amigos, Verônica e Carlos, chegaram. Por conta da altura e proximidade da janela, Carlos ficou inicialmente incomodado, mas antes da comida chegar já estava totalmente relaxado e à vontade.

Os detalhes da mesa, decoração, copos e até o cardápio especialmente impresso para a semana do evento revelavam o cuidado e empenho em dispor de todas as ferramentas para o total conforto e prazer dos clientes. Nos sentimos muito bem servidos e atendidos.

Fizemos nossos pedidos e, para entrada, eu e Verônica pedimos a opção de folhado de aspargos verdes servido com laranjas e molho de mostarda. O folhado parecia feito de folhas finíssimas de harumaki. No Brasil, harumaki é o famoso rolinho primavera. É também conhecido no mundo inteiro com o nome de spring roll e apesar de no Brasil usar-se o nome japonês, esse aperitivo é originário da culinária chinesa, servido em vários paises da Ásia e muito popular no Japão. Em chinês (mandarim) chama-se chûn juãn.

Juntamente com os aspargos, as folhas que pareciam ser de harumaki, formavam uma excelente combinação, sintonizando os sabores com o cítrico da laranja e o tempero do molho de mostarda. Mesmo para os carnívoros de plantão, essa entrada não passaria despercebida. Muito bem equilibrada e completamente saudável.

Paula e Carlos resolveram experimentar a outra opção de entrada, o crocante de salmão servido com bouquet de folhas verdes e creme de wasabi. O prato, além de bem servido, era bem decorado e saboroso. Como provei apenas uma pontinha, não posso avaliar, mas Paula e Carlos, que degustaram melhor o prato, aprovaram totalmente a combinação. E mesmo o creme de wasabi que poderia "queimar" a boca dos desavisados, se fez completamente mixado e equilibrado na mistura. Aprovado!!

Para os pratos principais, as mesmas duplas de entrada se mantiveram com suas escolhas. Eu e Verônica pedimos o filé de badejo servido com arroz negro e creme de lagostins. Estava tudo maravilhoso! A apresentação e decoração impecáveis, as cores bem encaixadas, os aromas e sabores, indiscutíveis. O arroz negro, apesar de sabor completamente diferente do que tinha experimentado no Aquim (lá, a mistura se fazia com o carne de cordeiro), fez uma presença bem marcante. Até o momento, pra mim, um dos melhores pratos servidos durante o Rio Restaurant Week.

Tournedor ao molho de cebola roxa acompanhado por batata gratinada foi a opção da dupla Paula e Carlos. Apesar do tamanho sugerir que era menor que o prato de peixe, a carne, por ser uma opção mais pesada em termos de digestão, estava na medida certa, ainda mais servida com a batata. Carboidrato e proteína estavam muito bem equilibrados. O tournedor estava muito bom pelo paladar de quem provou. Macio e tenro, esse "filé mignon alto e redondo" acompanhava muito bem o vinho que a Verônica escolheu. A batata gratinada, como coadjuvante, desempenhou brilhantemente o seu papel.

Como era uma noite especial, em lugar especial e com pessoas especiais, optamos por celebrar o momento com um vinho.Afinal, não poderia ser outra a bebida para esse instante de diversão, prazer e contentamento. Verônica, com mais experiência na degustação, fez as honras na escolha e optou por um Norton Malbec 2006 DOC. Excelente opção! Assim como fiz no post da Casa Julieta de Serpa, vou avaliar aqui o vinho. Com bem menos informação, pois o momento não permitia que eu ficasse estudando tanto o vinho. Vou repetir a explicação de alguns termos para aqueles que quiserem anexá-los ao seu vocabulário.

Norton Malbec 2006 DOC
Da região de Mendoza, na Argentina, a Bodega Norton tem esse vinho como um produto de excelente custo benefício. Ele fica um ano evoluindo em barricas de carvalho e mais outro na garrafa, antes de sair da vinícola.

Exame Visual
A iluminação não era a ideal para esse tipo de avaliação, não dava pra ver os reflexos (na borda de contato entre o vinho e o copo, forma-se o que chamamos de unha e essa unha pode apresentar reflexo diferente da cor principal do "meio" do vinho), mas dava pra se notar claramente que o tinto era do tipo vermelho-rubi. Era límpido (sem partículas em suspensão), com certa transparência e escorregadio (fluído como a água).

Exame Olfativo
Vinho franco (não é defeituoso), de caráter amplo (com vários aromas) e fragrante (bem aromático), com aroma de frutas bem maduras, tipo amora e com leve toque de madeira (por ter ficado em barricas de carvalho).

Exame Gustativo
Seco, sápido (equilibrado quanto à acidez), macio, encorpado sem incomodar (o corpo do vinho é sempre quanto a sua presença na boca, nunca quanto ao caráter visual), taninos (sensação de secura na boca) equilibrados, boa intensidade (o quanto ele se faz presente) e boa persistência (quanto tempo ele fica presente ainda na boca). Termina bem e está pronto para beber.

Depois de um bom papo, atendimento primoroso e serviço perfeito, chegou a hora da sobremesa. Pra não ficar diferente do que quando começamos, coincidentemente, as duplas iniciais finalizam seus pedidos com as mesmas parcerias. Eu e Verônica fomos de fondant de chocolate com creme de amarula e sorvete de creme. Estava uma delícia! Junto ao crepe Suzette da Casa Julieta de Serpa, também está entre as sobremesas premiadas, por mim, neste Rio Restaurante Week. O bom do fondant para mim, que não gosto de doces muito açucarados, é a parte de bolo, que é mais interessante do que, por exemplo no petit gateau, onde o recheio líquido é tão protagonista quanto o resto. Na medida certa!

Paula e Carlos não ficaram desapontados com suas escolhas, pois a tarte fina de maça servida com sorvete de creme estava deliciosa. Com um certo sabor único e diferente das tradicionais sobremesas, a tarte também teve seu local de destaque em meio de todas as sobremesas já citadas até o momento e ao longo de todos os posts anteriores.

Não sei se vocês estão lembrados, mas logo no início do post comentei do zelo, atendimento e atenção que o Rio Othon (leia-se Skylab) tem com seus clientes e que não era propaganda gratuita. Na verdade, era apenas a constatação de tudo isso ao longo do nosso jantar. O maitrê, os garçons e até o chef Jean Yves Poirey que esteve em nossa mesa, a meu pedido, através do gentil e cordial Saraiva, nos deram demonstração real de tudo isso.

Aliado ao que já foi comentado em relação ao cenário, ambientação, companhia, comida e bebida, esse programa fechou com chave de ouro a noite de sábado. Programa nota 10!

Notas dessa incrível experiência:Ambiente: 10; Atendimento: 10; Comida: 10; bebida: 10 e companhia dos amigos e esposa: 10! Dez, nota dez!!!
Rio Othon SKYLAB
Endereço: Av. Atlântica Nº 3264 - 30o andar - Copacabana - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2106-1666

Fiquem ligados e não percam o próximo post que virá com uma polêmica a respeito do evento. Não Percam! Bjs

terça-feira, 19 de maio de 2009

Rio Restaurant Week - Aquim Café

Sábado, 16 de maio, foi o dia que escolhemos para finalmente,através do evento do Rio Restaurante Week, conhecer o Aquim Café (www.aquimgastronomia.com.br). Inaugurado em julho de 2007, o restaurante está localizado num dos bairros mais nobres do Rio de Janeiro, o Leblon. Do outro lado da rua, alguns metros mais adiante, outro estabelecimento da família Aquim também faz vista pela sua originalidade. É a butique de doces Aquim, um lugar que encanta não só pelo bom gosto do projeto arquitetônico, como pela decoração, original e luxuosa. É quase uma joalheria, tamanho o esmero com os bombons e doces, que ali, mais do que nunca, são pequenas jóias. Até as atendentes merecem o olhar admirado: estão impecáveis em seus tailleurs. Mas isso é papo pra outro momento, pois o post de hoje vai falar sobre as impressões do pratos servidos no Aquim Café.



Devido ao evento, a procura pelas pessoas interessadas em experimentar novos ambientes e sabores tem sido intensa. No sábado de nossa visita, o restaurante sequer fazia reservas, dando chance aos que chegassem primeiro. Eu e Paula combinamos de ir assim mesmo, mas só poderíamos chegar lá por volta de 13h30, quando a casa já estava aberta desde o 12h. Graças ao nosso casal amigo, Verônica e Carlos, além de sua filha Ana Luiza, que iriam também almoçar mais cedo por lá, conseguimos chegar mais tarde e ainda poder ficar junto a eles.


Quando chegamos, eles já estavam na etapa da sobremesa e nos adiantaram alguns dos comentários sobre os pratos, De qualquer forma, e para poder experimentar cada sabor, eu e Paula pedimos um prato de cada do menu fixo da casa, para fazermos nossa avaliação também. As entradas chegaram rápidas. Eu pedi o tartar de legumes com polvo marinado e vinagrete de ervas. Paula pediu a polenta com creme de funghi secco e parmegiano. Confesso que achei o meu prato infinitamente menor que o de Paula, mas pensei que talvez em termos de sabor poderia sair ganhando. Erro meu, o polvo estava muito gostoso, mas o tartar não tinha muita expressão. Apesar do vinagrete tentar segurar o sabor, senti que faltava alguma coisa. Até porque, depois de ver e provar o prato de polenta, o polvo tinha perdido meu voto. Realmente, a conjunção de sabores da polenta com o funghi secco estava divino. Na medida certa.


Comentários à parte, enquanto conversávamos na mesa, notamos que várias pessoas ainda chegavam para almoçar e várias ainda aguardavam para entrar. O restaurante que possui 44 assentos disponíveis ficou pequeno para tanta gente que estava lá disposta a apreciar aquelas iguarias. Antes que nossos pratos principais chegassem, Carlos fez um comentário que se fez verdade assim que recebi meu pedido. Escolhi o arroz negro com cordeiro e já tinha feito uma imagem do prato na minha cabeça, mas ela foi por água abaixo no momento que o vi. A quantidade era pequena, pelo menos na minha opinião, e a aparência parecia ser de feijão. Aí foi que lembrei do comentário de Carlos. Ele disse: "Será que não vai fazer falta?" Realmente, além de estar parecido com um prato de feijão, também não se via sinal de nenhum pedaço de cordeiro. Bem, felizmente, apesar desse impacto inicial, o sabor era incrível. Diferente e aromático, o arroz seduziu até Paula que depois pediu para trocar de prato comigo para saborear o final do arroz. No fim o resultado foi positivo!


O prato principal de Paula era a truta grelhada com crocante de alho poró e risoto de tomilho. A quantidade dessa vez era generosa, o risoto estava uma delícia, porém o sabor da truta não achei nada de especial. Como já tinha tido oportunidade em outro momento de ter ído a um restaurante especializado em trutas - Trutas do Rocio (www.trutas.com.br), em Petrópolis, me senti confiante para avaliar. O risoto estava muito saboroso e o alho poró crocante dava um paladar diferente. Confesso que, na boca, o risoto, o alho poró e a truta, juntos davam um sabor todo novo, que elevava em muito a nota do prato no geral. Infelizmente, nossos amigos, que estavam com outros compromissos, tiveram que ir embora, restando apenas eu e Paula para degustar a nossa sobremesa.

O sorvete de gengibre com calda de chocolate e especiarias estava uma delícia. O gengibre estava bem ativo e podia se sentir até mesmo no ar o aroma dele. Excelente pedida!! A outra sobremesa, embora fosse uma das iguarias da casa, não saiu tanto a contento do nosso paladar por apenas um detalhe. Achamos muito doce! O macaron de confit laranja com canela se assemelha a uma bolacha em termos de aparência, pois possui duas metades mais consistentes com um recheio no meio. Quando puder, quero voltar, mas dessa vez até à butique Aquim para experimentar os outros macarrons menos adocicados e aí poder dar minha avaliação mais apurada. Pra quem gosta de doce, vai amar a iguaria. Vale a pena!


Notas do Aquim (de 1 a 10):
Ambiente: 9; Atendimento: 8,5 (prestativos, porém um pouco sisudos); Comida: 9 e companhia dos amigos e esposa: 11!


Aquim Café
Endereço: Avenida Ataulfo de Paiva ,1240, Loja B - Leblon - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2512-4670
Site oficial: www.aquimgastronomia.com.br

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rio Restaurant Week - Casa Julieta de Serpa

No dia 12 de maio, eu e Paula cumprimos mais uma etapa de nossa aventura gastronômica no Rio Restaurant Week (http://www.restaurantweek.com.br). Dessa vez escolhemos a dedo o local: a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, que fica na praia do Flamengo. Confesso: antes de vê-lo listado na relação dos restaurantes incluídos no Rio Restaurant Week, nunca tinha ouvido falar do local. Através do cardápio e das fotos que estavam no site (www.casajulietadeserpa.com.br), ficamos ansiosos para conhecer.


O palacete que abriga a casa de arte e cultura tem uma história peculiar. Ele foi construído em 1920 por um importante comerciante da época, Demócrito Lartigau Seabra, como um presente para sua esposa, Maria José. Ele queria que a construção fosse a casa mais bela do Rio de Janeiro. Para isso trouxe ao Brasil um arquiteto francês, que não só projetou a casa como fez com que todos os objetos que a compõem e ornamentam viessem da França. Vitrôs, portais, mármores, esculturas, prataria, quadros, praticamente tudo veio da Europa.


Demócrito faleceu 12 anos depois e Maria José continuou no palacete até 1989, quando morreu com 95 anos.O filho mais velho do casal ficou morando até a sua morte, em 2001. Como a casa havia sido tombada pelo Patrimônio Cultural em 1997, a empresa interessada em comprar o local para a construção de um prédio, não pode fazê-lo.



Em 2002, Carlos Alberto Serpa, educador e antiquário, comprou a casa e nela instalou a casa de cultura, dando-lhe o nome de sua mãe, Julieta Serpa. (Informações detalhadas a respeito da história pode ser vistas no site (www.ponto.altervista.org/Lugares/Rio/casajulieta.html).
Hoje, com o objetivo de promover a cultura, fazem parte da programação exposições, cursos, palestras e até sarais musicais. Além disso, uma área foi disponibilizada para instalação de um centro gastronômico que dispõe de um bistrô (BS), um salão de chá (Salão D´Or), um piano bar (J. Club) e um restaurante (Blason).
Marcamos o jantar para às 19:00hs e como chegamos mais cedo, demos uma volta no palacete para conferir aquela incrível beleza arquitetônica. Elegante e incomparável. Para nossa surpresa, uma das pessoas responsáveis pelo administração do local nos sugeriu que fôssemos ao segundo andar para assistir ao final da encenação da coroação de Napoleão Bonaparte. Ela nos disse que a peça "Le Sacre" é parte do evento do "Chá da Tarde", que acontece de terça a sábado, a partir de 16h (nas quintas, às 20h). Para informações e reservas, ligue (21) 2551-1278. Do pouco que pudemos assistir deu para ter uma idéia do primor na elaboração da peça.


O vestuário, maquiagem, cenário e a incrível performance do elenco, tudo realmente imperdível. Eu e Paula nos prometemos voltar um dia para o chá, para a apresentação e, é claro, para poder degustar todas as iguarias inclusas do pomposo menu.


Quando a hora de nossa reserva chegou, fomos gentilmente conduzidos pelo maitrê ao Bistrô BS tinha chegado. O lugar era bem pequeno, mas aconchegante. A iluminação, indireta e feita basicamente por velas, o que tornava o ambiente aconchegante. Éramos os primeiros e sentamos numa mesa perto do buffet, que era servido à parte.

Como estava sentindo a noite especial, resolvi olhar a carta de vinhos. Os preços não eram convidativos, mas como Paula não bebe e eu queria degustar um vinho, pedi meia-garrafa de um Terra Noble Cabernet Sauvignon 2007 - Chile. Inaugurando no blog, vou fazer minha avaliação do vinho (com legendas para os iniciados), conforme o curso que estou fazendo na ABS. Ainda requer muita prática, mas é a chance de me aperfeiçoar. Pra quem não tem interesse em vinhos, pode pular direto para a avaliação dos pratos.
EXAME VISUAL
Embora a iluminação comprometesse um pouco a avaliação visual, dava-se para notar a coloração mais para vermelho rubi. Não dava pra ver reflexos, mas era límpido (não apresentava partículas em suspensão) e oferecia regular transparência (se deixa atravessar pela luz).

EXAME OLFATIVO
Era franco (sem defeito), amplo (com vários aromas) e fragrante (com grande intensidade olfativa), com aromas ligeiros (média intensidade) e razoável persistência (tempo que o aroma ainda fica na memória). Tinha traço frutado, lembrando frutas vermelhas, e um pouco de tabaco com toques de madeira.

EXAME GUSTATIVO
Seco, sápido (com acidez equilibrada), macio, alcoolicidade equilibrada, taninos (sensação de secura, adstringência ou rascante) leves, bom corpo. Bem equilibrado no geral, qualidade fina, intensidade ligeira (ainda permanece um pouco na boca) e fim de boca razoável (a persistência de sabor na boca é média). Termina bem e a evolução é considerada pronta (no ponto, não melhora muito mais com a idade).

Bem, em relação à comida, recebemos nossas entradas sem demora. Paula pediu um creme de mandioquinha com cream cheese e pérolas negras (parecia ser um tipo de caviar). Apesar de estar bom, Paula não conseguiu comê-lo todo, pois havia uma boa quantidade azeite e ela não gosta muito de pratos excessivamente regados
Pedi a outra opção de entrada: salada caprese com queijo gruyére, alface verde, roxa e cogumelos frescos com molho especial. Tinha ótimo sabor. O gruyére e os cogumelos elevaram a nota desse prato. Vale ressaltar que ambos os pratos tinham porções generosas.

Para o prato principal, que também foi servido super rápido, Paula optou pelos medalhões de filet a francesa ao molho de ervas finas. Muito bem servido, mas em termos de sabor, nada que realmente fosse diferente. O molho não destacou muito a carne. O acompanhamento à francesa, com presunto e cebola, estava muito bom. Até mesmo quem não gostasse de cebola poderia se aventurar a comer, pois ela estava levemente temperada e sem ardido algum.


Meu prato, sem sombra de dúvida, era melhor. Era um duo de dourado e salmão com molho de queijo, ratatouille e ravióli de abóbora e pêra ao molho de manjericão. Os peixes estavam no ponto, nem muito moles e nem muito assados. Os sabores distintos deles davam uma gostosa sensação na hora de saborear. Quanto ao ratatouille, pra quem não conhece, é um prato rústico típico da região de Provençe (França), onde alguns legumes são todos misturados juntos. Na receita não podem faltar berinjela, abobrinha, tomate e pimentão. Estava uma delícia! Os dois raviólis de abóbora e pêra com molho de manjericão finalizavam o prato de forma ideal. Foi uma novidade com um sabor bem diferente e único.

Depois de nos deleitarmos com os salgados, resolvemos pedir a sobremesa. A opção era Crepe Suzette com sorvete de creme. Eu, que não sou muito chegado em doces, adorei!! Não conhecia o crepe suzette e procurei na internet pela receita para saber o que tinha naquele prato. O suco de laranja e o conhaque flambado dão todo o sabor final dessa sobremesa fácil e gostosa. Nota 10!


Aproveitando a gostosa sobremesa servida, resolvi anexar aqui uma receita especial de Crepe Suzette. Esta receita me foi enviada gentilmente para esse post pelo meu amigo Alexandre Trik, que é um gourmet de mão cheia. Ao longo da sua vida, ele fez muita coisa pra deixar como história. Foi cantor lírico, integrou o grupo de cantores do Teatro Municipal, viajou o Brasil e o mundo inteiro divulgando seu talento. É um grande pintor, seus trabalhos variam do clássico realista ao abstrato, mas com uma técnica toda própria; e ainda ensinou a arte da pintura por 25 anos. Como ele mesmo me disse uma vez: "Não vim de brincadeira nessa vida!" Com um acervo invejável de receitas adquiridas ao longo de sua carreira e vida pessoal, Alex Trik nos brinda com essa sobremesa que todos podem fazer em casa, sem complicação. Obrigado, Alexandre!

RECEITA - Crepe suzette

Massa
1/2 xic. de farinha de trigo
1 Pitada de sal
1 e 1/2 colher de sopa de açúcar
1 ovo
1 colher de sopa de suco de laranja
1/2 xic. de leite
Bata no liquidificador e (importante) deixe descansar pelo menos 1/2 hora. De preferência, na geladeira.
Ponha uma colher de chá cheia de manteiga numa frigideira e frite todas panquecas, sem acrescentar mais manteiga empilhando-as num prato, até terminar a massa.

Calda
Numa frigideira coloque:
100g. de manteiga e derreta em fogo lento. Acrescente:
3 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de Licor de laranja (Curaçau ou Cointreau)
1 xic. de suco de laranja
Raspas de laranja
Misture tudo e cozinhe um pouco.

Preparação e flambagem
Passe as panquecas de ambos os lados na calda.
Dobre cada uma em quatro (como um guardanapo).
Reserve outra vez num prato.
Quando terminar todas as panquecas, coloque-as dobradas na frigideira e apague o fogo.
"Flambe" os crepes com uma colher de sopa de Rum ou Cognac.
Sirva em seguida, quente, da frigideira diretamente para o prato de sobremesa.
Derrame por cima uma pouco do molho em cada prato.

Atenção: Como flambar
Coloque a bebida numa colher de sopa e acenda com um fósforo. Derrame lentamente a bebida acesa sobre os crepes.
Dê uma pequena sacudida para espalhar bem a bebida.
Aguarde o fogo apagar sozinho

Bem, não podiam faltar as notas para esse evento gastronômico.Ambiente: 9,5; Atendimento: 9; Comida (aqui vou ter separar as notas: entrada + pratos = média 8 e sobremesa 9,5; Bebida 8,5 e Companhia 10!



Fiquem ligados, pois vêm ai mais posts sobre o Rio Restaurant Week! Não percam!

Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa
Endereço: Praia do Flamengo, 340 - Flamengo - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2551-1278
Site oficial:
www.casajulietadeserpa.com.br
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